Irritabilidade durante a amamentação
Algumas mulheres sentem uma reação muito desagradável no início da amamentação. Assim que o bebê coloca a boca no mamilo para começar a sugar, a mulher fica muito irritada, angustiada, agitada, com tristeza, desesperança, com sensações de estômago vazio e náusea.
A sigla dessa condição é D-MER (dysphoric milk ejection reflex), traduzindo livremente, seria a disforia (irritação) pelo reflexo de liberação do leite materno.
Qual a explicação?
Assim que o bebê começa a mamar, há a liberação de ocitocina (libera a descida do leite), queda de dopamina e aumento da prolactina para aumentar a produção de leite. Essa queda abrupta da dopamina pode ser a responsável por esses sintomas, possivelmente, os níveis de dopamina estão anormais.
Além disso, a chance de D-MER é mais comum em mulheres que já tem hipersensibilidade nos mamilos, dieta ruim e as que estão em maior privação de sono, desidratadas, consumindo cafeína, estressadas e com ingurgitamento mamário.
Um estudo publicado em julho/24 no Liebert, avaliou 141 mulheres e a prevalência da D-MER foi de quase 28%.
A maioria apresenta os sintomas no 1º minuto da amamentação que duram até 5 minutos, mas 38,5% permaneceram com os sintomas durante toda a mamada. Uma parte das mulheres também sente quando extraem o leite.
Em 59% dos casos, os sintomas já começaram no 1º mês do pós-parto e melhoraram após o 3º mês. Outros estudos mostram que pode durar enquanto a mulher amamentar.
Não existe medicação comprovadamente eficaz para o tratamento.
A recomendação é mudança no estilo de vida e auto-controle. As mães devem aumentar o consumo de água, reduzir o consumo de cafeína, fazer atividade física e procurar atividades prazerosas para fazer durante a amamentação, como assistir TV, ler, conversar com alguém, ouvir música e aromaterapia, são alguns exemplos.
Infelizmente, quase 60% das mães tem sentimento de culpa e vergonha muito intensos. Cerca de 18% pensam em interromper a amamentação e quase 8%, de fato, interrompem.
Neste estudo, as mulheres com D-MER pontuaram mais na escala de triagem para depressão pós-parto também, mostrando uma relação muito importante entre as 2 condições.
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