Ácido Valproico: Por Que Evitar na Gravidez?
O ácido valproico (valproato) é um medicamento antiepiléptico e estabilizador do humor, mas seu uso durante a gestação está fortemente associado a riscos graves para o feto.
Principais riscos:
Malformações congênitas: defeitos do tubo neural (como espinha bífida), hipoplasia da face média, defeitos cardíacos congênitos, fissura labiopalatina, restrição de crescimento e microcefalia.
Déficits neurocognitivos: redução do QI e prejuízo da cognição em vários domínios, com efeitos observados até os 6 anos de idade.
Transtornos do neurodesenvolvimento: risco 2 a 4 vezes maior de transtorno do espectro autista (TEA), transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) e pior funcionamento adaptativo na infância.
Risco dependente da dose:
Diretrizes de 2024 da Academia Americana de Neurologia, Sociedade Americana de Epilepsia e Sociedade de Medicina Materno-Fetal afirmam que o valproato carrega maior risco de malformações e desfechos cognitivos adversos do que outros antiepilépticos, e esse risco aumenta com doses mais altas — mas persiste mesmo em doses baixas (≤650 mg/dia).
Recomendação principal:
Como regra geral, mulheres em idade reprodutiva não devem ser tratadas com ácido valproico. Se o uso for inevitável, a paciente deve ser plenamente informada dos riscos, adotar medidas contraceptivas confiáveis (idealmente múltiplas) e, se planejar engravidar, descontinuar o medicamento pelo menos 6 meses antes, permitindo tempo para transição segura e estabilização do humor com outra medicação.
Importante: nunca interrompa ou altere a dose por conta própria. A decisão deve ser individualizada, em conjunto com neurologista/psiquiatra e obstetra, pesando riscos e benefícios.