Antidepressivos na gravidez:
precisamos olhar para a depressão, não apenas para o medicamento.

Antidepressivos durante a gravidez: risco ou proteção?

Uma nova revisão publicada no JAMA Psychiatry traz uma mensagem importante: ao avaliar o uso de ISRS (inibidores seletivos da recaptação de serotonina) durante a gravidez, é fundamental considerar não apenas a exposição ao medicamento, mas também os efeitos da própria depressão materna.

A depressão maior durante a gestação não é simplesmente “tristeza”. É uma doença cerebral complexa que pode afetar o funcionamento e a saúde da mãe e também está associada a desfechos obstétricos e ao desenvolvimento fetal e infantil.

E o que os estudos mostram sobre os ISRS?

Grande parte das associações inicialmente descritas entre o uso de antidepressivos e problemas na gestação parece ser explicada, pelo menos em boa parte, pelo chamado “confundimento por indicação”: pessoas que utilizam ISRS durante a gravidez frequentemente apresentam depressão mais grave, recorrente ou crônica — e a própria doença está relacionada a diversos fatores que podem influenciar os resultados da gestação.

Quando esses fatores são adequadamente considerados, as evidências acumuladas sugerem que os ISRS apresentam pouco ou nenhum risco para os desfechos graves mais temidos, embora não seja possível afirmar que exista risco zero.

O estudo mostra que 74% das mulheres deprimidas permaneceram saudáveis na gestação enquanto tomavam antidepressivo.

Em relação ao risco de malformação, temos que o risco basal para qualquer tipo de malformação é de 3 bebês em cada 100. Nos bebês expostos aos antidepressivos o número aumentou para 3.2 em cada 100. 

Em relação às malformações cardíacas, o risco basal é de 1 bebê em cada 100 e o número aumentou para 1.1 em cada 100 nos bebês expostos aos antidepressivos.

Outro ponto importante: estudos sobre desfechos de longo prazo, como autismo e outros transtornos do neurodesenvolvimento, apresentam resultados inconsistentes. Quando são considerados fatores relacionados à depressão materna, genética e ambiente familiar, muitas das associações inicialmente observadas diminuem ou desaparecem.

Isso significa que toda gestante com depressão deve tomar antidepressivo? Não.

A decisão deve ser individualizada. É preciso avaliar a gravidade da depressão, histórico de recaídas, tratamentos anteriores, riscos da doença não tratada, benefícios esperados do tratamento e possíveis efeitos adversos da medicação.

Em algumas mulheres, interromper o antidepressivo pode aumentar significativamente o risco de recaída — especialmente quando a depressão é grave ou recorrente.

A grande mudança de perspectiva proposta pelo artigo é justamente esta: não devemos perguntar apenas “o antidepressivo faz mal ao bebê?”

Devemos perguntar também: “Quais são os riscos de deixar uma depressão materna sem tratamento ou subtratada?”

O objetivo não é escolher entre “medicação” e “nenhum risco”. Não existe uma opção de risco zero. O objetivo é encontrar, junto com a paciente, a estratégia que maximize a saúde da mãe e do bebê.

Cuidar da saúde mental materna também é cuidar da saúde do bebê.

Esse Blog é apenas de carácter informativo e qualquer conduta médica deve ser feita única e exclusivamente por um médico. 

Clique aqui caso deseje marcar uma consulta. 

Fonte: Wisner KL et al. Depression and SSRI Treatment During Pregnancy—Prioritizing Maternal Mental Health. JAMA Psychiatry. Publicado online em 12 de agosto de 2026.

Antidepressivos na Gravidez: precisamos olhar para a depressão, não apenas para o medicamento.

Deixe uma Mensagem

Rolar para o topo

Descubra mais sobre Dra. Juliana Cavalsan

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo

Dra. Juliana Cavalsan
Privacy Overview

This website uses cookies so that we can provide you with the best user experience possible. Cookie information is stored in your browser and performs functions such as recognising you when you return to our website and helping our team to understand which sections of the website you find most interesting and useful.