Transtornos Mentais na Vida da Mulher
Se engana quem pensa que o portador de alguma doença psiquiátrica está com a vida comprometida, que precisa de hospitalização prolongada, que não pode casar, ter filhos, trabalhar…enfim ter uma vida normal. Com o tratamento correto, feito pelo psiquiatra, a maioria das pessoas consegue ter uma vida absolutamente normal.
Muitas vezes, por medo e desinformação, os pacientes procuram médicos não psiquiatras o que retarda o diagnóstico, o tratamento fica incompleto e compromete a saúde mental e a qualidade de vida do paciente.
Apesar das doenças mentais atingirem tanto homens quanto mulheres, as mulheres apresentam alguns períodos de maior vulnerabilidade para o aparecimento de transtornos.
Esses períodos correspondem aos dias que antecedem a menstruação, durante a gravidez e o pós-parto e na menopausa.
Isso acontece devido à flutuação hormonal normal característica desses períodos em mulheres predispostas ao desenvolvimento de transtornos mentais.
Mulheres que apresentam algum transtorno mental em alguma dessas fases, são mais vulneráveis a tê-los novamente.
Transtorno Disfórico Pré-Menstrual (TDPM)
Antes da menstruação é normal e muito comum a presença de sintomas físicos (dor nas mamas, inchaço, dores de cabeça) e alguns sintomas psíquicos (alguma irritabilidade, tristeza, crises de choro) mas que não incapacitam as mulheres de continuar suas atividades habituais. Essa é a famosa TPM (tensão pré-menstrual).
A TPM atinge cerca de 70 a 85% das mulheres, é benigna e não necessita de tratamento.
Existe outro quadro conhecido como Transtorno Disfórico Pré-Menstrual (TDPM) em que há predomínio de certos sintomas psíquicos, como muita irritabilidade, tristeza, sensação de nervos à flor da pele, associados às alterações do apetite e do sono e dos outros sintomas físicos que também estão presentes na TPM.
Esse quadro é grave o bastante para causar prejuízo social, ocupacional e escolar.
Os sintomas se iniciam dias antes da menstruação e cessam de forma imediata ou logo depois do início do fluxo menstrual.
Acomete, geralmente, mulheres entre 25 e 35 anos, e atinge cerca de 1,6 a 6,4% delas.
TDPM não é TPM
Embora ambos apresentem sintomas semelhantes, a TDPM é grave e se não tratada causa prejuízo social, ocupacional e/ou escolar.
É comum a ocorrência de outros transtornos psiquiátricos, como depressão e ansiedade. O tratamento é necessário para o TDPM.
Gravidez e Pós-Parto
Pouco se fala de transtornos psiquiátricos na gestação. Na nossa sociedade, existem alguns mitos de que a gravidez é um período de plena felicidade e realização pessoal para a mulher e de que ela estaria protegida dos transtornos mentais.
O que se vê na prática clínica é que as mulheres sentem vergonha de relatar algum sintoma de tristeza e descontentamento com a gravidez por medo do julgamento dos outros, além disso, muita das queixas das gestantes são consideradas “normais” e atribuídas à gestação, como maior sonolência, maior sensibilidade, entre outros.
No pós-parto ou puerpério, uma condição muito comum é o baby blues. Ocorre nos primeiros dias após o nascimento do bebê e tem duração limitada (até 14 dias).
A mãe fica mais emotiva, chorosa, ansiosa e com a sensação de que não será capaz de cuidar do bebê.
Não necessita de tratamento, mas se os sintomas durarem mais do que 2 semanas ou forem muito graves, o tratamento é absolutamente necessário devido ao risco de suicídio e infanticídio em casos graves.
Qualquer doença psiquiátrica pode ocorrer na gestação ou no puerpério, mas a mais comum é a depressão pós parto.
É absolutamente necessário que a mãe esteja mental e fisicamente bem para cuidar de si e do seu bebê, conseguir amamentar e criar um bom vínculo afetivo. Bebês de mães deprimidas tendem a apresentar pior desenvolvimento neurológico, intelectual e físico.
Existe tratamento para os transtornos mentais na gravidez e no pós-parto. Atualmente, existem muitas medicações que podem ser usadas durante a gravidez e amamentação.
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Menopausa
Esse período de vida da mulher corresponde ao fim da idade reprodutiva e início da senelidade.
É uma fase conturbada, pois além das alterações hormonais, normalmente ocorrem eventos importantes na vida das mulheres, como aposentadoria, perda dos pais, saída dos filhos de casa e mudanças corporais decorrentes da idade.
A menopausa é definida como a última menstruação da mulher e o diagnóstico só é feito quando há ausência de menstruação por 12 meses consecutivos, ou seja, quando a mulher está há 1 ano sem menstruar. Ocorrem em torno dos 51 anos.
Anos antes da menopausa, propriamente dita, os ciclos menstruais já começam a ficar irregulares, é comum a ocorrência de fogachos (ondas de calor), secura vaginal, perda óssea, diminuição da libido, dores musculares, alterações do sono, entre outros. Esse período é chamado de transição menopausal, dura em torno de 4 a 7 anos e se inicia por volta dos 47 anos de idade.
Tudo isso acontece porque nesta fase temos a falência dos ovários que perde sua capacidade de produzir óvulos e hormônios, principalmente o estrógeno.
O estrógeno age em várias regiões do corpo, inclusive no cérebro, onde atua melhorando o funcionamento cognitivo que é fundamental para o processo de aprendizagem e formação de memórias.
A própria doença depressiva, muito comum neste período, causa problemas de memória, por isso é fundamental uma avaliação cuidadosa para a exclusão de doenças psiquiátricas.
Assim, o prejuízo de memória, nesta fase, não é indicativo de início de alguma demência, como a de Alzheimer. Muitas vezes, o tratamento de comorbidades e um treino neurocognitivo melhoram significativamente a memória e a qualidade de vida dessas mulheres.
Para todas as fases da vida de uma mulher existe tratamento específico para que ela tenha uma boa qualidade de vida. É necessário que se encontre um profissional qualificado para indicar a melhor medicação, sempre com acompanhamento.
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