Adoecimento e Transtornos Psiquiátricos na Gestação - Testes de Screening

Umas das principais dificuldades, tanto para as pacientes e os familiares, quanto para os próprios médicos é diferenciar quais são os sintomas normais durante a gestação e o puerpério (pós-parto) dos sintomas patológicos.

Um dos sentimentos mais comuns que se manifestará tanto na gravidez quanto no pós-parto é a ambivalência afetiva. É a sensação constante de querer e não querer a gravidez, de estar feliz com a experiência da maternidade e com medo ao mesmo tempo, de se questionar a todo instante se fez a escolha certa. Muitas mulheres sentem-se culpadas por experimentarem essas sensações.

Ambivalência Afetiva

Querer e Não Querer, Feliz e com Medo, Segura e Insegura…. 

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Uma atitude inicial de rejeição à gravidez, que acontece com bastante frequência, mesmo em gestações planejadas, não é imutável ao longo da gestação. A rejeição inicial pode dar lugar à aceitação e vice-versa. 

No início da gravidez, em geral no primeiro trimestre, muitas mulheres oscilam entre o medo e a vontade de abortar.

 

A ambivalência afetiva é um fenômeno absolutamente normal na vida de qualquer ser humano. As oscilações de humor que acompanham o período perinatal são, em sua maior parte, manifestações normais.

Normalmente, as mulheres sentem-se mais sensíveis, até mesmo mais chorosas e por vezes mais irritadas. Sentem-se mais lentas e com dificuldade de concentração, em parte causada pela sonolência excessiva.

É comum ficarem preocupadas com as alterações corporais e com a vida sexual. Outro grande temor é o risco de mal formações nos bebês que causa, e com razão, um certo grau de preocupação.

O desenvolvimento da medicina e sofisticação de aparelhos que, conseguem de maneira cada vez mais precisa estimar e determinar alguma má formação e síndrome no feto, foi fundamental para garantir um pré-natal de melhor qualidade, no entanto, algumas mulheres ficam mais ansiosas com os resultados desses exames.

Ao longo do desenvolvimento da gestação e com a percepção dos primeiros movimentos fetais, que ocorre no segundo trimestre da gestação, as mulheres tendem a ficarem mais estáveis emocionalmente.

ansiedade na gestacao

Neste período, a mulher passa a se sentir realmente grávida, a aceitação da gestação aumenta e o medo de abortar diminui. Com a proximidade do parto, a ansiedade e o medo são sentimentos que se sobressaem.

A preocupação com o tipo de parto (normal ou cesárea) é grande, têm medo da dor que possam sentir, dos cortes que por vezes é necessário no parto normal (episiotomia), e de como ficará a cicatriz da cesárea.

As mães têm medo que o bebê possa nascer prematuro ou com alguma doença ou anomalia e se o bebê e elas próprias sobreviverão, sobretudo se já tiverem outros filhos. A vontade de terminar a gestação e de ter o filho se mescla com o medo de cuidar do bebê e da mudança da rotina.

A adaptação psicológica a este período é comum em qualquer gestante. Como podemos avaliar essa adaptação? Os pontos a serem avaliados incluem a investigação da aceitação da gravidez, a identificação com a maternidade, a relação com a própria mãe e parceiro, e a preparação para o parto.

Estima-se que 5% das gestantes sofrem de algum transtorno de ajustamento. Sendo o principal fator de risco as relações maritais insatisfatórias e baixo suporte social, segundo dados Archives of Women’s Mental Health (2019) – (22:511–518).

Como suspeitar de adoecimento psíquico durante a gestação?

Um dos principais sinais é a falta de interesse nos assuntos relacionados ao bebê e a maternidade: não se importa com o enxoval, a escolha do nome, indiferença ao ouvir o coração e a sentir seus movimentos, vergonha da gestação, diminuição dos auto-cuidados, consumo de bebidas alcóolicas e outras drogas.

Existe também um padrão mais ansioso, como a checagem constante do peso, visitas frequentes ao pronto-socorro com o intuito de checar a vitalidade do bebê. Além disso, gestantes que apresentam intercorrência clínicas, terão maior chance de adoecimento psíquico.

Devido à alta frequência e consequências negativas para a gestante e seu bebê, existem testes de screening (rastreio) que são ferramentas fundamentais para auxiliar profissionais não especialistas a investigar sinais sugestivos de adoecimento.

Os testes de screening nunca substituirão a entrevista clínica, só fornece pistas de um provável adoecimento e depressão.

Para serem usados, precisam ser validados para a língua portuguesa, direcionados para as gestantes e de fácil aplicação.

Segue abaixo um dos testes que estão de acordo com as regras acima e é auto-aplicável. 

Escala de Depressão Pós-Parto de Edinburgh (EPDS)

 Pode ser aplicada tanto na gestação quanto no pós-parto.

São 10 perguntas, sendo 3 que avaliam sintomas ansiosos, e 1 (a última pergunta) que avalia pensamentos de morte.

A nota corte é 10, ou seja, pontuações maiores de 10 são sugestivas de transtorno depressivo e necessitam de avaliação psiquiátrica. Ou, caso a pontuação seja menor do que 10, mas a última pergunta seja positiva, o encaminhamento também é necessário.

Problema nesta escala é que não diferencia depressão unipolar da bipolar.

Abaixo o teste EPDS:

Esse Blog é apenas de carácter informativo e qualquer conduta médica deve ser feita única e exclusivamente por um médico. 

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Adoecimento e Transtornos Psíquicos na Gestação – Testes de Screening

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