Antidepressivos na Gravidez
A principal indicação para o uso de antidepressivo é para os casos de depressão. Durante a gravidez, só se justifica o uso dessas medicações (e de qualquer outra também) quando os riscos da doença para a mãe e para o bebê ultrapassarem os riscos das medicações.
Importante saber que NÃO EXISTE DECISÃO ISENTA DE RISCO.
Durante a gestação, a taxa de depressão não é baixa, varia de 7% a 25%, segundo dados do National Center for Biotechnology Information.
Além disso é a principal complicação durante a gestação e no pós-parto. Por isso, não é de se estranhar que o uso dessas medicações está cada vez mais frequente.
Os antidepressivos são classificados por grupos, sendo os mais usados:
1) Inibidores seletivos da recaptação de serotonina: fluoxetina, sertralina, paroxetina, citalopram, escitalopram, fluvoxamina
2) Inibidores seletivos da recaptação de serotonina e noradrenalina: venlafaxina, desvenlafaxina, duloxetina
Quais os efeitos negativos que o uso dessas medicações pode trazer ao bebê? O risco é grande? Vale a pena o tratamento?
Vamos descobrir os riscos dos antidepressivos durante a gravidez...
- Má formação?
Existe o risco de má formação fetal em qualquer gestação, mesmo se a mulher não consumir bebidas alcóolicas, fumar, usar algum outro tipo de drogas, medicações, e não for exposta a nenhuma radiação.
Esse risco gira em torno de 3%.
Cada vez mais estudos que avaliam o risco de má formação pelo uso de antidepressivos (sobretudo os inibidores seletivos da recaptação de serotonina) são publicados.
De maneira geral, o grupo não é considerado teratogênico, ou seja, não causa má formação em taxas superiores ao risco de qualquer gestação. (Segundo estudos publicados pelo NCBI – National Center for Biotechnology Information.
2. Complicações obstétricas?
As complicações obstétricas mais comuns são parto prematuro (antes de 37 semanas), bebês com baixo peso ao nascer, pequenos para a idade gestacional, sangramentos, diabetes gestacional e hipertensão arterial .
A própria depressão é responsável por complicações ao longo da gestação.
Gestantes deprimidas não tratadas têm maior risco de parto prematuro, dos bebês nascerem com baixo peso e pequenos para a idade gestacional de acordo com estudo publicado no NCBI.
É importante ter em mente que nem sempre os estudos conseguem distinguir o impacto da doença ou das medicações nos resultados obstétricos e neonatais.
3. Risco de autismo?
O transtorno do espectro autista é uma condição com diversas formas de apresentação tendo pontos em comum o comprometimento da comunicação e interação social, padrões repetitivos de comportamento, apresenta curso crônico e tem início precoce (antes dos 3 anos). (DSM-V)
Diversos estudos foram publicados mostrando a associação entre uso de antidepressivo e autismo.
No entanto, esses estudos apresentam uma série de limitações e, geralmente, não levam em consideração se a própria doença não seria a responsável por esse desfecho.
Outros dois estudos, separaram o que seria efeito da própria doença e das medicações, e não revelaram a associação dos antidepressivos com autismo.
4. Influência negativa no neurodesenvolvimento dos bebês à longo prazo?
Diversos estudos também já foram feitos para avaliar se, à longo prazo, os bebês que foram expostos aos antidepressivos durante a gestação apresentavam algum atraso do neuro-desenvolvimento.
A grande maioria dos estudos não sugere nenhum efeito adverso no neuro-desenvolvimento.
Como não podia deixar de ser, os estudos também têm dificuldade em determinar o que é da depressão e o que é da medicação.
Além disso, sabemos que o desenvolvimento infantil não é linear. Existem os marcos do desenvolvimento que servem de referência para o acompanhamento infantil, e há uma tolerância de alguns meses que é considerada normal, por exemplo, espera-se que a criança ande, pelo menos com apoio aos 12 meses, mas pode andar sem apoio à partir dos 10 meses e no máximo até 16 meses. (Você pode ver a tabela do desenvolvimento clicando nesse link).
5. Síndrome de má adaptação neonatal?
O bebê com a síndrome apresenta maior irritabilidade, agitação, aumento da frequência respiratória (taquipneia), nervosismo, alguma dificuldade de amamentação.
Todos esses sintomas tendem a ser TRANSITÓRIOS, e na grande maioria dos casos dura alguns dias, no máximo, duas semanas.
A prevalência é cerca de 25% a 30% na vigência do uso do antidepressivo.
No entanto, os estudos não controlam adequadamente as condições mentais das mães. A própria depressão também é responsável por essa síndrome.
Valeria a pena então suspender o antidepressivo antes do parto ou durante o trabalho de parto?
A resposta é não.
Até o momento, os dados não indicam que a redução ou suspensão dos antidepressivos diminuem os riscos da síndrome de má adaptação neonatal. (Warbuton et al 2010).
Além disso, há uma chance muito grande de depressão após o parto se a mãe não estiver medicada. Lembrando que o maior fator de risco para depressão pós-parto é a depressão durante a gravidez.
6. Hipertensão pulmonar persistente no recém nascido
A hipertensão pulmonar persistente é uma condição grave, com chance de morte e se caracteriza pela má vascularização dos vasos pulmonares e manutenção da circulação fetal (no feto, o sistema circulatório apresenta fisiologia diferente e, após o nascimento, há alterações normais para que ele funcione conforme o padrão adulto. Para mais informações, veja nesse link.
Felizmente é rara e atinge 2 para cada 1000 crianças nascidas segundo estudos do NCBI. Os principais fatores de risco são aspiração de mecônio (mecônio é as primeiras fezes expelidas pelo recém nascido, sua presença no líquido amniótico pode indicar algum grau de sofrimento fetal), obesidade materna, tabagismo, diabetes, uso de anti-inflamatórios não esteroidais (p.ex. diclofenaco de sódio, ibuprofeno, AAS, piroxicam, entre outros…..a lista é longa).
Outro fator de risco conhecido é o uso de antidepressivos durante a gestação, sobretudo no final da gestação.
O risco relativo chega a dobrar, no entanto o risco absoluto é de 3 para cada 1000 nascidos vivos. Isso quer dizer, que o aumento é muito baixo e, o risco é pequeno.
Esse Blog é apenas de carácter informativo e qualquer conduta médica deve ser feita única e exclusivamente por um médico.
Caso queira entrar em contato, e marcar uma consulta, por favor clique aqui.
Amei essas informações. São muito úteis para quem está em tratamento contra depressão. Obrigada
Que bom que você gosta do conteúdo Fernanda!
Estou com ansiedade na gestação já tinha do que agora aumentou e estou com medo de tomar a sertralina pois tomava e parei por conta própria volto a tomar ou da. Mal pra minha bebê de 4 meses
Nunca pare de tomar a medicação por conta própria, é perigoso para você e para seu bebê. Procure o seu médico psiquiátra, ele poderá te ajudar com as medicações.
Não deixe de tomar nenhuma medicação sem o conhecimento de seu médico.
Muito bom o tema tratado,pois pouco se leva em consideração infelizmente ainda é um tabu.
Ao longo da minha existência, sempre me achei diferente das demais das pessoas, principalmente no aspecto de socialização, de emoções extremas (ausência delas) e velocidade de raciocínio. Fazem apenas 3 anos que tive conhecimento dos problemas gestacionais sofridos por minha mãe, a levando ser medicada com antidepressivos durante toda a gravidez. Tenho certeza que não sou autista, mas posso afirmar que nasci com alguns problemas por conta desse fato!