Ciclo de Vida da Mulher - Parte III: A Menopausa

A série sobre o ciclo de vida da mulher continua e chegamos na menopausa.

Nesse momento, várias alterações físicas e cerebrais acontecem na mulher.

Sintomas como fogachos, insônia, ressecamento da pele e do cabelo, secura vaginal, diminuição da libido, irritação, tristeza, ansiedade e dificuldade na memória acontecem.

Infelizmente, essas mudanças ocorrerão em todas as mulheres, mas a frequência e intensidade são muito individuais.

A menopausa é definida como a última menstruação da mulher no último ano, ou seja, a mulher não menstrua há 1 ano. Esse diagnóstico só pode ser retrospectivo, não tem como saber exatamente quando acontecerá, mas costuma acontecer por volta dos 51 anos.

Mas é claro que isso não acontece de uma hora para outra. Anos antes de se estabelecer a menopausa, começam as alterações próprias dessa fase e este período é chamado de perimenopausa.

O principal sinal da perimenopausa é a irregularidade menstrual.

 

Pode haver mudanças como ciclos mais curtos ou mais longos, alterações no fluxo, tanto para mais quanto para menos.

Um sinal marcante é a presença de fogachos que atinge de 60% a 80% das mulheres.

Fogachos são os calores, principalmente noturnos, que se iniciam no tronco e se irradiam para o rosto e em seguida vem a sensação de calafrios. Normalmente, causa impacto negativo no sono e a insônia é um sinal marcante nessa fase da vida. Os fogachos podem durar até 10 anos após a menopausa.

A principal causa para essas mudanças é a flutuação hormonal. Os ovários começam a entrar em falência e a produção de estrógenos começa a oscilar mas com uma tendência a ser cada vez menos produzida.

Além disso, na meia idade, as mulheres se deparam com aposentadoria, saída dos filhos de casa, cuidados com os pais ou mesmo até o luto e, nem sempre, estão psicologicamente preparadas para encarar a nova realidade.

E como fica o humor na menopausa, com tudo isso acontecendo?

Esse é um período de grande adaptação e, às vezes, o diagnóstico de algum transtorno mental, principalmente, depressão pode ser um desafio.

Quais os limites entre o normal e o patológico? De maneira, muito simplista, caracterizamos como doença quando há prejuízo na vida da mulher em todos os aspectos.

Os sintomas depressivos são os mesmos da depressão em qualquer outra fase da vida, como tristeza na maior parte do tempo, desânimo, falta de prazer nas coisas, insônia (em alguns casos, sonolência excessiva, mas é mais raro nessa população), diminuição ou aumento do apetite, diminuição da libido, falta de concentração, falta de energia e, em casos graves, pensamentos suicidas.

menopausa

Importantes estudos que acompanharam mulheres na perimenopausa por 8 a 16 anos, mostraram que existe um risco aumentado de um primeiro quadro depressivo ou reagudização de episódios depressivos em quem já teve depressão no passado.

O risco de depressão chega a ser 2x maior em mulheres na perimenopausa quando comparado com mulheres na pré menopausa. Além disso, a chance de depressão tem uma relação direta com a presença de fogachos.

No entanto, em 2016, um artigo de revisão publicado por Kruif , lançou uma controvérsia e mostrou que os sintomas depressivos podem aumentar mas não o diagnóstico de transtorno depressivo, ou seja, os sintomas não são fortes o suficiente para caracterizar um quadro depressivo em si.

Como disse é uma controvérsia.

O mecanismo que explica a ocorrência da depressão é o chamado sistema neuro-endócrino.

Podemos imaginar como se fosse uma conversa entre o cérebro e os ovários.

O desenvolvimento de depressão é pelas alterações cerebrais que são influenciadas pela diminuição hormonal nos ovários, ou seja, a própria diminuição do estrógeno/estradiol seria responsável por essas alterações que levam à depressão.

Além disso, a presença de fogachos causam insônia que, por si só, já é um fator de risco para depressão.

Assim, a “idade” cerebral depende mais do funcionamento hormonal do que da idade cronológica.

Tratamento para Depressão na Menopausa

Mudanças no estilo de vida, como dietas mediterrâneas, práticas de atividades físicas, estímulos cognitivos adequados (como novos aprendizados) previnem as alterações cerebrais e também fazem parte do tratamento para depressão.

Em casos moderados a graves de depressão, a indicação é o tratamento medicamentoso, principalmente com antidepressivos.

Muito se fala da reposição hormonal que é bastante efetiva no tratamento para os sintomas físicos da depressão e prevenção de doenças cardiovasculares, demência e osteoporose, mas também existem contra-indicações muito bem estabelecidas, como histórico pessoal e familiar de câncer de mama.

O uso prolongado de reposição hormonal pode aumentar o risco de doenças cardiovasculares, demência, embolia pulmonar e câncer de mama.

Consulte seu ginecologista antes de iniciar qualquer reposição hormonal, a escolha do tratamento é muito individual.

O uso de hormônios, apesar de melhor sintomas do humor, não é indicado para o tratamento de depressão.

Esse Blog é apenas de carácter informativo e qualquer conduta médica deve ser feita única e exclusivamente por um médico. 

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O Ciclo de vida da mulher Parte 3

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