Cannabis e fertilidade feminina: o que a ciência já sabe?
Nos últimos anos, o uso de cannabis tem aumentado em vários países, incluindo o Brasil e os Estados Unidos. Com a ampliação da legalização e da aceitação social, muitas mulheres em idade fértil passaram a encarar a substância como algo menos nocivo. Mas será que o uso regular de cannabis pode interferir na fertilidade?
Um estudo publicado em 2024, utilizando dados do National Health and Nutrition Examination Survey (NHANES) entre 2013 e 2018, analisou 3.167 mulheres de 20 a 49 anos. O objetivo foi investigar a associação entre frequência de uso de cannabis e infertilidade, definida como a dificuldade de engravidar após um ano de tentativas.
Os resultados mostraram que 12,4% das participantes relataram infertilidade. Entre usuárias irregulares de cannabis, a taxa foi de 10,6%, enquanto entre as usuárias regulares foi de 15,4%. Mulheres que relataram uso regular apresentaram 53% maior chance de infertilidade em comparação às que nunca usaram, embora os resultados não tenham atingido significância estatística.
Esses dados sugerem uma possível associação modesta entre uso regular de cannabis e maior risco de infertilidade. A explicação pode estar no fato de que receptores de cannabis estão presentes no sistema reprodutivo feminino, podendo afetar a liberação de hormônios como o FSH, LH e estrogênio, além de impactar a ovulação e a regularidade dos ciclos menstruais.
Apesar disso, é importante destacar que as evidências ainda são inconclusivas. Estudos anteriores apontaram resultados mistos, e mais pesquisas de longo prazo são necessárias para entender de forma clara essa relação.
Para as mulheres que estão tentando engravidar, a recomendação atual é de cautela: conversar com profissionais de saúde sobre o uso de cannabis, compreender os riscos potenciais e buscar sempre informações confiáveis.
Cuidar da fertilidade envolve mais do que exames e tratamentos médicos: passa também por escolhas de estilo de vida que podem impactar diretamente a saúde reprodutiva.
Referência: Huntington A. et al. BMJ Open, 2024.
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