Antidepressivos na gestação: o que a ciência realmente mostra
O uso de antidepressivos durante a gestação ainda é envolto em medo e desinformação.
Muitas mulheres interrompem o tratamento por receio de prejudicar o bebê — mas o que a ciência mostra é que a história é bem mais complexa.
Segundo o artigo de Roussos-Ross et al. (2025), os ISRS (inibidores seletivos da recaptação de serotonina), como sertralina, fluoxetina e escitalopram, são as classes de antidepressivos mais estudadas em gestantes. Diversas pesquisas com milhares de mulheres mostram que, quando os dados são analisados corretamente, não há aumento significativo de malformações congênitas em bebês expostos a esses medicamentos.
Alguns estudos apontam um risco levemente aumentado de hipertensão pulmonar persistente do recém-nascido (entre 1 e 2 casos a cada 1.000 nascimentos), mas ainda menor do que outros riscos comuns da gestação, como o diabetes gestacional.
Por outro lado, a depressão não tratada está associada a parto prematuro, baixo peso ao nascer, dificuldade de vínculo materno e até risco aumentado de suicídio.
Por isso, interromper o tratamento sem acompanhamento especializado pode ser mais perigoso do que mantê-lo.
O artigo reforça que a decisão sobre o uso de antidepressivos deve ser feita de forma compartilhada — levando em conta histórico clínico, gravidade dos sintomas e suporte disponível.
Cuidar da saúde mental na gestação é um ato de responsabilidade, não de egoísmo. O tratamento certo, feito com orientação, protege tanto a mãe quanto o bebê.
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