Antidepressivos na gestação e risco de aborto espontâneo: novos estudos
O uso de antidepressivos durante a gestação é um tema que frequentemente desperta dúvidas, insegurança e até mesmo culpa em muitas mulheres. Entre os receios mais comuns está a possibilidade de que a medicação aumente o risco de aborto espontâneo. Mas o que a ciência mais recente tem mostrado?
Um estudo publicado em 2024 no BMJ Open (Smith et al., 2024) analisou 29 pesquisas observacionais envolvendo mais de 5,6 milhões de gestantes. Essa foi a maior revisão sistemática e meta-análise já realizada para investigar a relação entre uso de antidepressivos e aborto espontâneo.
Os resultados mostraram que, de forma geral, gestantes em uso de antidepressivos apresentaram um risco discretamente maior de aborto espontâneo em comparação às que não utilizavam essas medicações. Porém, quando os pesquisadores compararam apenas mulheres com diagnóstico de depressão — algumas em tratamento medicamentoso, outras não — essa diferença caiu de forma significativa.
Isso indica que a própria depressão pode estar mais associada ao risco do que o antidepressivo em si.
Em outras palavras, quando a depressão materna é considerada, não há evidências consistentes de que os antidepressivos, isoladamente, aumentem o risco de aborto espontâneo.
É importante lembrar que a depressão não tratada também traz riscos à gestação, como parto prematuro, baixo peso ao nascer e impacto no vínculo mãe-bebê. Por isso, interromper o tratamento sem orientação médica pode ser mais prejudicial do que manter a medicação.
Cada decisão deve ser individualizada, levando em conta o histórico da mulher, a gravidade dos sintomas e o acompanhamento especializado. O cuidado com a saúde mental na gestação é um ato de proteção — tanto para a mãe quanto para o bebê.
Referência: Smith S, et al. BMJ Open. 2024;14:e074600.
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