erros gestantes

Os 11 erros mais cometidos no tratamento psiquiátrico em gestantes

Quando a mulher está grávida, muitas vezes ela muda sua rotina e tem cuidados que antes não estava acostumada. E as vezes, até a classe médica não está totalmente preparada para lidar com a gestante. 

Existem 11 erros mais comuns no tratamento psiquiátrico da gestante:

1) Parar todas as medicações psiquiátricas

A gravidez não é um período protetor contra as doenças mentais. A chance de recaídas para as deprimidas que param o tratamento é de 70% das deprimidas, e chega a 85% no caso das bipolares.

2) Minimizar as consequências das doenças mentais no desfecho da gestação

A depressão na gravidez traz diversas consequências negativas no decorrer da gestação como parto prematuro, baixo peso ao nascimento, pior tônus motor no bebê, maior chance de pré eclâmpsia e diabetes gestacional. No pós-parto os riscos são aumentados para pior QI nos bebês, atraso no desenvolvimento da linguagem e maiores chances de desenvolvimento de transtornos mentais na adolescência e início da idade adulta.

3) Não tratar corretamente as doenças mentais

O objetivo do tratamento psiquiátrico é alcançar a remissão dos sintomas ou retirar o máximo possível dos sintomas e, muitas vezes, isso só é possível com doses maiores de medicações. Não faz sentido usar doses mais baixas e insuficientes por receio das consequências das medicações na gravidez e na amamentação porque as pacientes continuarão expostas às medicações e a própria doença que não foi devidamente tratada.

4) Fazer mudanças nas medicações durante a gravidez

Se a mulher está respondendo bem ao tratamento psiquiátrico não há razão para a troca de medicações ao descobrir a gestação. Não se justifica trocar as medicações mais novas e com menos estudos para as mais antigas. Claro que há muito mais segurança em usar medicações mais antigas, mas isso precisa ser feito durante o planejamento gestacional. Essa recomendação não se aplica no caso de medicações sabidamente teratogênicas, ou seja, que causam mal formações.

5) Trocar as medicações durante a amamentação porque a passagem para o leite é menor

O período do pós-parto é o pior momento para alterar as medicações. Isso só deve ser feito se a mulher apresentar recaída durante o puerpério. Sem dúvida nenhuma, os bebês recebem mais medicações pela placenta do que pelo leite. Se a mulher está respondendo bem ao tratamento, não mude a medicação com a justificativa de passar menos para o leite. Existem medicações que precisam de bastante cautela durante a amamentação, nesses casos, considere a descontinuação da amamentação.

6) Prescrever ácido valpróico ou carbamazepina para mulheres em idade reprodutiva

Essas medicações são sabidamente teratogênicas, ou seja, tem um alto potencial de causar mal formações graves nos bebês. Mulheres na idade fértil podem usar essas medicações desde que sejam muito bem orientadas a tomar medidas eficazes de contracepção. O ideal é usar dois métodos contraceptivos.

7) Parar abruptamente os benzodiazepínicos “medicações de tarja preta

O uso de benzodiazepínicos deve ser sempre desestimulado, no entanto, a parada abrupta pode causar síndrome de abstinência correndo o risco de aumento da pressão arterial, da frequência cardíaca e, em alguns casos, até convulsão. O ideal é diminuir gradualmente até a suspensão completa.

8) Não investigar o uso de substâncias lícitas e ilícitas

É fundamental questionar sobre o uso de substâncias como álcool, tabagismo, maconha, cocaína, outros estimulantes e orientar sobre os riscos ao bebê e ao desenvolvimento gestacional.

9) Não dar antipsicótico para as mulheres que estão psicóticas

Por medo de expor o bebê às medicações muitos médicos proíbem o uso de fármacos sem considerar o efeito da doença para o bebê e para a mãe. Assim como é fundamental tratar doenças clínicas como o diabetes gestacional, hipotireoidismo, o mesmo deve ser feito para as doenças mentais.

10) Não usar o lítio durante a gravidez

O risco de mal formação cardíaca, em especial a anomalia de Ebstein, causado pelo lítio foi superestimado no passado. Novos estudos foram feitos e o risco absoluto é baixo. O lítio é um excelente estabilizador do humor e muitas bipolares só ficam bem com essa medicação. O risco de recaída chega a 85% para bipolares que interrompem o tratamento durante a gestação. O transtorno afetivo bipolar traz muitas consequências negativas para o bebê e para a mãe, em especial, o risco de psicose puerperal. Considerar o uso de lítio em casos bem específicos.

11) Usar as medicações baseadas nas categorias do FDA (food and drugs administration)

FDA é uma agência governamental americana responsável por registrar e autorizar o uso de medicações, alimentos e aparelhos médicos.

Até 2015, havia uma classificação de perfil de segurança para as medicações durante a gestação, no entanto, isso essa classificação caiu por terra. Atualmente, aparece os riscos do uso das medicações na gestação e na amamentação descritos na bula para que o médico consiga avaliar e decidir pelo uso ou não da medicação.

Texto baseado no texto da Psychiatric times.

 

Esse Blog é apenas de carácter informativo e qualquer conduta médica deve ser feita única e exclusivamente por um médico. 

Clique aqui caso deseje marcar uma consulta.  

depressão na gravidez
Os 11 Erros Mais Comuns no Tratamento Psiquiátrico em Gestantes

Deixe uma Mensagem

Rolar para o topo
%d blogueiros gostam disto: